A Importância do SHBG na Biodisponibilidade da Testosterona

SHBG O SHBG (Proteína de Transporte das Hormonas Sexuais) é uma proteína produzida pelo fígado e que está relacionada com a diminuição dos níveis de Testosterona Livre.

Quando pedimos ao médico, análises para dosear os níveis séricos de Testosterona, os resultados que obtemos, apenas são referentes aos níveis de Testosterona Total, no entanto também existe a Testosterona Livre, que não poderemos esquecer e que é importante quantificar.

TESTOSTERONA LIVRE

A Testosterona Livre, encontra-se “não ligada”, por isso, como o próprio nome indica, é intitulada de livre. Esta testosterona, circula livremente na corrente sanguínea, encontrando-se disponível para todos os recetores do nosso organismo.

Cerca de 60 a 70% das moléculas de Testosterona podem ligar-se ao SHBG, uma percentagem inferior está ligada a uma proteína chamada albumina e apenas cerca de 2% se encontra “não ligada”, na forma de Testosterona Livre.

No fundo, podemos representar desta forma:

Testosterona Total = Testosterona ligada ao SHBG + Testosterona ligada à albumina + Testosterona Livre

Desta forma, as moléculas de testosterona que se encontram ligadas ao SHBG e à Albumina encontram-se presas, funcionando como uma “reserva”, que não se encontra disponível. Só determinados estímulos, que desencadeiam picos de Testosterona, forçam o nosso hipotálamo a libertar estas moléculas de  Testosterona que se encontram presas nessa “reserva”.

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A Testosterona Livre, que circula livremente, apresenta funções muito importantes, tais como: aumentar a libido e a função sexual, aumentar a massa muscular magra, reduzir os níveis de gordura corporal, aumentar a auto-confiança, aumentar a motivação e a energia, estimular o sistema imunológico, entre outras.

O que podemos deduzir é que, mesmo que tenhamos níveis elevados de Testosterona Total, isso não significa que esta se encontre disponível, pois como expliquei anteriormente, essa Testosterona pode encontrar-se ligada ao SHBG e à Albumina. Foi esse o motivo pelo qual, no início do artigo, referi que além de ser importante dosear os níveis de Testosterona Total, não é menos importante pedir o doseamento da Testosterona Livre.

A má notícia é que, como já referi, os níveis que possuímos de Testosterona Livre representam apenas 2% dos níveis de Testosterona Total e que, segundo alguns estudos, cerca de 60 a 70% das moléculas de Testosterona se encontra “aprisionada” no SHBG e a restante, à albumina.

A boa notícia é que existe a possibilidade de aumentarmos os níveis de Testosterona Livre, de forma natural!

Então, a batalha que precisamos travar para garantir uma maior percentagem de Testosterona Livre, será reduzir os níveis de SHBG, para garantir um menor aprisionamento das moléculas de testosterona.

Para conseguirmos baixar os níveis de SHBG é importante entender-mos os fatores que desencadeiam a sua elevação:

  1. Idade – à medida que a idade aumenta, também aumenta o SHBG. Esta é uma das razões pelas quais, entre os 40 e os 70 anos de idade, os níveis de Testosterona Total caem 1,6% ao ano, a Testosterona bio disponível (fração livre) cai 2% ou 3% ao ano e o SHBG aumenta 1,3% ao ano.
  2. Gordura – o aumento de gordura corporal e visceral, especialmente a gordura armazenada no fígado aumenta os níveis de SHBG, diminuindo os níveis de Testosterona Livre, com a consequente diminuição da força e de tecido muscular.
  3. Estrogénio – níveis  elevados de estrogénio, conduzem ao aumento dos níveis de SHBG, que no caso específico do homem se deve, em parte, ao aumento de gordura corporal.
  4. Testosterona – níveis baixos de testosterona, contribuem também para aumentar os níveis de SHBG e vice-versa.
  5. Medicamentos e álcool – ambos contribuem para aumentar os níveis de SHBG. O SHBG é produzido no fígado e a maioria dos fármacos que tomamos, também são metabolizados no fígado, razão pela qual o afetam. Em relação ao consumo excessivo de álcool sucede exatamente a mesma situação, devido à sobrecarga que este representa para o fígado.
  6. Chá verde – este tipo específico de chá contribui para o aumento dos níveis de SHBG, diminuindo assim os níveis de Testosterona Livre.

Depois de conhecidos alguns fatores que contribuem para a elevação do SHBG, apresentarei agora, a situação inversa e que aspiramos, ou seja, os fatores que contribuem para a sua diminuição:

  1. Insulina – níveis elevados de insulina contribuem para a diminuição do SHBG, aumentando desta forma a Testosterona Livre. No entanto, é do conhecimento de todos, ou pelo menos de alguns, que níveis elevados de insulina podem desencadear uma condição designada, resistência insulínica, responsável  por vários transtornos metabólicos. O que desencadeia picos sucessivos dos níveis de insulina é o consumo excessivo de hidratos de carbono de elevado índice glicémico, tais como pães, bolos, massas, … Então a solução será aumentar o consumo de  hidratos de carbono, de baixo índice glicémico, como a batata-doce, a beterraba, o nabo e a abóbora. Desta forma os níveis de insulina aumentarão e os níveis de SHBG diminuirão, mas sem provocar resistência insulínica, o que colocaria a nossa saúde em risco.
  2. Vitamina D3 – a Vitamina D3 é chamada de vitamina, mas na realidade trata-se de uma hormona esteroide, que regula mais de 1000 funções no corpo humano, entre as quais se destaca a diminuição dos níveis de SHBG. Está comprovado que a Vitamina D3 aumenta os níveis de Testosterona e diminui os de SHBG. Para aumentarem os reservatórios de Vitamina D, aconselho-vos a: apanharem sol, que é a principal fonte de Vitamina D, a comerem peixes gordos selvagens ou a suplementarem com óleo de fígado de bacalhau, todos eles excelentes fontes de vitamina D3.
  3. Boro – Os benefícios do boro estão especialmente relacionados com a manutenção da saúde dos ossos, uma vez que o boro influencia a atividade e a absorção de nutrientes, como o cálcio, o magnésio e a vitamina D, nutrientes essenciais para a manutenção de ossos fortes e saudáveis. Alguns estudos demonstram que o Boro contribui para aumentar os níveis de Testosterona Livre, diminuindo os de SHBG. Os alimentos ricos em boro são essencialmente de origem vegetal, podendo destacar-se, nozes, frutas não cítricas, como a banana, e várias hortaliças, como a couve-manteiga.
  4. Magnésio – este sal mineral é um dos mais importantes para o corpo humano, sendo essencial para a nossa sobrevivência e sendo responsável pela regulação de várias enzimas importantes no nosso organismo. O magnésio associado à prática de exercício físico pode produzir aumentos nos níveis de Testosterona Livre, na ordem dos 24%, contribuindo para diminuir os níveis de SHBG. Como exemplos de alimentos ricos em magnésio podem referir-se: sementes de abóbora e de girassol, amêndoas, avelãs, castanha-do-Brasil, alcachofra, espinafre, beterraba, abacate, ameixas e bananas.
  5. Zinco – os estudos indicam que este sal mineral também reduz o SHBG, aumenta os níveis de Testosterona, de dihidrotestosterona (DHT), melhora a qualidade do esperma e diminui os níveis de estrogénio. O Zinco pode ser encontrado em alimentos de origem animal e vegetal, tais como: carne vermelha, frango, peixe, fígado, legumes, tubérculos e em grande concentração nas ostras, daí estas serem consideradas, um afrodisíaco.

Concluindo:

Considero que fazendo uma boa alimentação, mantendo o corpo magro  e sem gordura abdominal, com baixos níveis de estrogénio e praticando regularmente exercício físico, se consegue níveis de Testosterona livre, o mais elevados possível!

Além de ser imprescindível conhecer os nossos níveis de Testosterona Total, não é menos importante, conhecer os nossos níveis de Testosterona Livre. Mesmo que os níveis de Testosterona Total se mantenham elevados, devemos prestar atenção, já que esta pode não estar bio disponível (fração livre) para os recetores do nosso organismo, devido ao facto do SHBG se encontrar elevado e a aprisionar!

Assim, da próxima vez que fizerem análises clínicas, peçam ao vosso médico o doseamento de Testosterona Total, mas também o de Testosterona Livre.

Se os níveis de Testosterona Total se encontrarem elevados e os de Testosterona Livre baixos, então torna-se necessário quantificar os níveis da proteína SHBG, que muito provavelmente, se encontrará em níveis elevados.

Caso se deparem com uma situação semelhante, sigam os conselhos expostos neste artigo, onde encontram vários fatores que vos permitem aumentar a Testosterona Livre e baixar os níveis de SHBG. 

Sigam os conselhos apresentados neste e noutros artigos, que facilmente encontram no blog e, certamente, voltarão a ter níveis ótimos de Testosterona Livre!

Termino com uma citação: “Suba o primeiro degrau com fé. Não é necessário que você veja toda a escada. Apenas dê o primeiro passo”. Martin Luther King.

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26 comentários a “A Importância do SHBG na Biodisponibilidade da Testosterona

    • Encontro em uma situação inversa do retratado no artigo. Meus níveis de testosterona livre estão dentro dos padrões mínimos de normalidade ao passo que o SHBG está baixíssimo. Estou sem libido. Nesse caso o que fazer ?

      • Olá Vinicius!

        Os padrões mínimos de testosterona livre não significam padrões óptimos!
        O SHBG baixo é uma vantagem, mas se os níveis de testosterona total forem baixos, nunca poderás possuir níveis óptimos de testosterona livre.
        A falta de libido pode ser física ou psicológica, por isso tenta consumir alimentos verdadeiros como, carne, ovos, castanha do Brasil, quantidades generosas de gorduras boas, eliminando ao máximo o consumo de hidratos de carbono e de alimentos processados.
        Se puderes pratica musculação ou exercícios de alta intensidade. Podes ainda ingerir alguns suplementos, que poderás encontrar nos produtos recomendados no blog e que te podem auxiliar ainda mais. Garanto que a tua libido irá melhorar!
        A nível psicológico, considero muito importante o estimulo gerado pela tua companheira!

        Cumprimentos
        Carlos Coelho

  1. Parabéns pela postagem!!! A tempos procurando explicações sobre meus níveis hormonais… Shbg altíssimo e testo total e livre baixíssimos… Nesse caso essa indicação de suplementação é benéfica não é?

    • Nenhum medico que já passei considerou esses níveis de subfamília e testosterona… Outra duvida : poderia eu fazer tal suplementação por conta para tentar resolver tamanha indisposição causada pela falta de testosterona? Agradecida pela oportunidade ….

  2. Bom dia !

    os meus níves de testosterona total estão acima dos valores de referências, ao passo que , os níveis de testosterona livre estão dentro dos valores de referências. O que poderia ser feito para baixar os níveis de testosterona total ?

    • Olá Paulo!

      A testosterona total representa o stock de testosterona disponivel no teu organismo, enquanto a testosterona livre representa a biodisponibilidade da mesma nos receptores das células.
      Ambas são importantes, já que, com niveis altos de testosterona total poderás conseguir atingir niveis mais elevados de testosterona livre, desde que diminuas os niveis de SHBG e albumina.
      Não te preocupes com niveis de testosterona total acima dos valores de referência, o mais importante é que sejam alcançados de forma natural.
      Quanto aos niveis de testosterona livre, os valores de referência têm um intervalo bastante alargado, logo, não sei se os teus valores são ou não, considerados optimos.
      Para que não restem dúvidas, não tentes diminuir os teus níveis de testosterona total… Mais importante ainda é aumentar a testosterona livre.

      Cumprimentos
      Carlos Coelho

    • Olá Juliana!
      É bastante difícil baixar os níveis de SHBG enquanto tomares anticoncepcionais, devias optar pelo dispositivo intra-uterino (DIU) sem hormonas.
      Se não deixares os anticoncepcionais, deves pelo menos escolher uma dieta equilibrada (Paleo), consumir 2 copos de agua com limão por dia para desintoxicar o fígado, já que é ele que sintetiza o SGBG.
      Deves verificar e testar os suplementos que mencionei no artigo.
      O mais importante para baixares os níveis de SHBG é a prática regular de exercício físico em especial a Musculação ou o HIIT.

      Cumprimentos
      Carlos Coelho

    • Olá Gustavo!

      A Dieta Paleo não contempla o arroz, pessoalmente ingiro arroz 2 ou 3 vezes num ano.
      O arroz é rico em arsénico que é uma substancia cancerígena, provocando também lesões renais e de pele, fraqueza, dor de cabeça, risco de diabetes, redução do QI em crianças, anemia, problemas gastrointestinais, fadiga crónica, entre outros.
      Se consumires arroz, fá-lo esporadicamente e dando preferência ao arroz biológico.

      Cumprimentos
      Carlos Coelho

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